Diferença entre Lacticaseibacillus e Lactobacillus: entenda a mudança no nome do LGG
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Diferença entre Lacticaseibacillus e Lactobacillus: entenda a mudança no nome do LGG
Quem pesquisa sobre probióticos pode encontrar dois nomes muito parecidos em rótulos, estudos e materiais técnicos: Lactobacillus rhamnosus GG e Lacticaseibacillus rhamnosus GG.
À primeira vista, parece que são microrganismos diferentes. No caso do LGG, não são.
Lacticaseibacillus rhamnosus GG é o nome atualizado da cepa anteriormente conhecida como Lactobacillus rhamnosus GG. Os dois nomes se referem à mesma cepa probiótica, rastreável como ATCC 53103.
Essa mudança interfere na leitura de estudos, na interpretação de rótulos e na forma como profissionais da saúde, prescritores, lojistas técnicos e consumidores avançados entendem a identidade de uma cepa probiótica.
Por que o nome Lactobacillus mudou?
Durante muito tempo, Lactobacillus funcionou como um grande “guarda-chuva” para diferentes bactérias ácido-láticas. O grupo ficou amplo demais.
Em 2020, Zheng e colaboradores publicaram uma revisão taxonômica mostrando que o antigo gênero Lactobacillus reunia 261 espécies bastante diversas em características genéticas, ecológicas e microbiológicas. A partir de análises de genoma completo, os autores propuseram a reorganização desse grupo em diferentes gêneros, incluindo Lacticaseibacillus.
A mudança não foi estética. Foi uma tentativa de tornar a classificação bacteriana mais precisa.
Onde entra o Lacticaseibacillus?
Lacticaseibacillus é um dos novos gêneros criados a partir dessa reorganização.
Na prática, algumas bactérias que antes eram chamadas de Lactobacillus passaram a ter um nome mais específico. Foi o que aconteceu com o LGG.
Antes, a cepa era conhecida como Lactobacillus rhamnosus GG. Com a nomenclatura atualizada, passou a ser chamada de Lacticaseibacillus rhamnosus GG.
A cepa não virou outra. O que mudou foi a forma científica de classificá-la. Bases taxonômicas como LPSN e NCBI Taxonomy já registram Lacticaseibacillus rhamnosus dentro do gênero Lacticaseibacillus, seguindo a revisão proposta por Zheng et al.
No caso do LGG, os dois nomes indicam a mesma cepa
Quando falamos de LGG, Lactobacillus rhamnosus GG e Lacticaseibacillus rhamnosus GG apontam para a mesma cepa.
Essa cepa também é associada ao identificador ATCC 53103, usado para rastreabilidade microbiológica.
Morita e colaboradores publicaram, em 2009, a sequência completa do genoma de Lactobacillus rhamnosus ATCC 53103, identificando a cepa como LGG e descrevendo sua origem a partir da flora intestinal humana saudável.
Por isso, quando um estudo antigo usa Lactobacillus rhamnosus GG e um material recente usa Lacticaseibacillus rhamnosus GG, o ponto decisivo é a identificação completa. Se aparece LGG ou ATCC 53103, estamos falando da mesma cepa.
Por que estudos antigos ainda usam Lactobacillus rhamnosus GG?
Grande parte da literatura sobre LGG foi publicada antes da reorganização taxonômica de 2020. Por décadas, o nome usado nos artigos foi Lactobacillus rhamnosus GG.
Isso não torna esses estudos ultrapassados. Eles apenas refletem a nomenclatura aceita na época.
A revisão de Capurso, publicada em 2019, sintetiza trinta anos de literatura sobre Lactobacillus rhamnosus GG. Esse histórico continua útil para entender a cepa, desde que o leitor saiba que o nome atualizado é Lacticaseibacillus rhamnosus GG.
O nome mudou. A literatura continua sendo parte da história do LGG.
Por que essa diferença importa em probióticos?
Em probióticos, o nome genérico do grupo bacteriano não basta.
Ver no rótulo apenas “Lactobacillus” ou “lactobacilos” é amplo demais para uma avaliação técnica. O consenso da ISAPP, publicado por Hill et al., reforça que o termo probiótico deve ser usado com precisão, considerando microrganismo, dose e contexto de uso.
No caso do LGG, a identificação completa organiza a leitura:
Lacticaseibacillus é o gênero atualizado.
rhamnosus é a espécie.
GG é a cepa.
ATCC 53103 é a referência de rastreabilidade.
Essa precisão evita tratar microrganismos diferentes como se fossem iguais apenas porque pertencem ao mesmo grupo geral.
A cepa importa mais do que o nome do gênero?
A cepa é uma das informações mais importantes na avaliação de um probiótico.
O gênero ajuda a classificar. A espécie detalha mais. Mas a cepa individualiza o microrganismo.
Dois microrganismos podem pertencer à mesma espécie e ainda assim apresentar comportamento, estabilidade, histórico de estudo e características diferentes dentro de uma formulação.
Por isso, a pergunta mais útil não é apenas “tem Lactobacillus?”. A pergunta mais precisa é: “qual cepa está sendo usada?”.
Como ler rótulos e estudos sobre LGG?
Ao encontrar conteúdos sobre LGG, observe se o texto usa o nome antigo ou o nome atualizado.
Depois, procure a identificação completa da cepa: Lactobacillus rhamnosus GG, Lacticaseibacillus rhamnosus GG ou ATCC 53103.
Também evite avaliar o probiótico apenas pelo número de bilhões de UFC. Qualidade em probióticos envolve cepa identificada, dose viável, estabilidade, embalagem, processo produtivo e cuidado até o momento de uso.
A nomenclatura é uma parte dessa precisão. Não é preciosismo. É rastreabilidade.
Qual é a diferença entre Lacticaseibacillus e Lactobacillus?
A diferença é taxonômica.
Lactobacillus era usado para um grupo amplo de bactérias ácido-láticas. Com a revisão científica de 2020, parte dessas espécies foi reorganizada em novos gêneros, incluindo Lacticaseibacillus.
No caso do LGG, Lacticaseibacillus rhamnosus GG é o nome atualizado da cepa antes conhecida como Lactobacillus rhamnosus GG.
Os dois nomes se referem à mesma cepa probiótica quando falamos do LGG rastreável como ATCC 53103.
Entender essa equivalência ajuda a ler estudos com mais clareza, interpretar rótulos com mais critério e reconhecer por que a identificação completa da cepa é tão importante em probióticos.
Para continuar bem.
Suplemento alimentar. Não é medicamento. Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui avaliação individual, diagnóstico, tratamento, prescrição ou acompanhamento profissional.
Artigos e referências científicas usadas como base
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Zheng J. et al. A taxonomic note on the genus Lactobacillus: description of 23 novel genera, emended description of the genus Lactobacillus Beijerinck 1901, and union of Lactobacillaceae and Leuconostocaceae. International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology, 2020.
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Morita H. et al. Complete Genome Sequence of the Probiotic Lactobacillus rhamnosus ATCC 53103. Journal of Bacteriology, 2009.
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Capurso L. Thirty Years of Lactobacillus rhamnosus GG: A Review. Journal of Clinical Gastroenterology, 2019.
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Hill C. et al. The International Scientific Association for Probiotics and Prebiotics consensus statement on the scope and appropriate use of the term probiotic. Nature Reviews Gastroenterology & Hepatology, 2014.
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LPSN. Species: Lacticaseibacillus rhamnosus.
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NCBI Taxonomy. Lacticaseibacillus rhamnosus.